OS INVISÍVEIS ESSENCIAIS: ENQUANTO A ELEIÇÃO TERMINA, O TRABALHO DELES CONTINUA

OS INVISÍVEIS ESSENCIAIS: ENQUANTO A ELEIÇÃO TERMINA, O TRABALHO DELES CONTINUA

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Passada a eleição, as cidades começam mais uma semana. As urnas foram fechadas, os eleitores voltaram para suas casas e boa parte da propaganda eleitoral desapareceu da nossa rotina.

Mas ela não desapareceu sozinha das ruas.

Ontem, em pleno dia de eleição, foi possível presenciar profissionais da varrição e da coleta urbana trabalhando normalmente. Enquanto milhares de pessoas se dirigiam às seções eleitorais, eles recolhiam lixo, papéis, santinhos e todo tipo de material espalhado pelas vias públicas.

É um trabalho que muitas vezes passa despercebido. Mas basta imaginar nossas cidades sem esses profissionais por alguns dias para perceber sua importância.

Uma operação que não pode parar

Os números ajudam a mostrar a dimensão desse trabalho.

Somente na cidade de São Paulo são recolhidas cerca de 12 mil toneladas de resíduos diariamente, em uma operação que envolve mais de 4.600 profissionais. Dados municipais também mostram que, em 2025, foram recolhidas aproximadamente 3,55 milhões de toneladas de resíduos domiciliares e mais de 94 mil toneladas provenientes da varrição de ruas e logradouros públicos.

Quando ampliamos o olhar para o país, a dimensão é ainda maior. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, da ABREMA, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024, o equivalente a aproximadamente um quilo por habitante a cada dia.

Por trás desses números existem pessoas.

Homens e mulheres que diariamente varrem ruas, recolhem sacos, operam equipamentos, dirigem caminhões e retiram dos espaços públicos aquilo que todos nós descartamos.

Depois do voto, alguém precisa limpar a cidade

Em períodos eleitorais, esse trabalho ganha ainda mais visibilidade.

Santinhos, papéis e outros materiais descartados irregularmente se somam aos resíduos produzidos normalmente pela população. Experiências anteriores em São Paulo dão uma ideia do tamanho desse desafio: em uma operação especial de limpeza pós-eleição, cerca de 250 toneladas de resíduos eleitorais foram recolhidas somente no primeiro turno, mobilizando aproximadamente 4.400 agentes de limpeza e 230 equipamentos.

São números históricos, mas que demonstram muito bem o tamanho da responsabilidade de quem permanece nas ruas depois que a votação termina.

Enquanto grande parte da população volta para casa, essas equipes continuam trabalhando para devolver as ruas limpas à cidade.

Muito além de varrer uma rua

A varrição não é apenas uma questão estética.

Retirar resíduos das ruas ajuda a evitar que materiais cheguem às bocas de lobo e ao sistema de drenagem, além de contribuir para a conservação dos espaços públicos. A própria Prefeitura de São Paulo classifica a limpeza urbana como serviço essencial para a saúde pública, preservação ambiental e qualidade de vida.

A coleta também não pode parar. Todos os dias, resíduos produzidos em residências, estabelecimentos comerciais e outros espaços precisam ser retirados, transportados e destinados adequadamente.

Quando tudo funciona bem, quase ninguém percebe.

Quando o serviço falta, todos percebem.

Hoje, nosso muito obrigado

É exatamente para lançar luz sobre profissionais como esses que a APREST mantém a série “Os Invisíveis Essenciais”.

E neste período pós-eleição queremos fazer algo simples, mas necessário:

agradecer.

Aos profissionais da varrição.

Aos coletores.

Aos motoristas.

Aos operadores de equipamentos.

E a todos os trabalhadores que, inclusive aos domingos, feriados, de madrugada, sob sol ou chuva, ajudam a manter nossas cidades limpas, transitáveis e mais dignas para todos.

Para Gilmar Argenta, presidente e fundador da APREST, esse reconhecimento precisa fazer parte do nosso cotidiano:

“É muito fácil perceber o lixo na rua. Precisamos aprender também a perceber o trabalhador que faz esse lixo desaparecer. Depois de uma eleição isso fica ainda mais evidente. Enquanto muitos de nós já estávamos voltando para casa, esses profissionais continuavam trabalhando para que encontrássemos uma cidade limpa no dia seguinte. A eles, o nosso reconhecimento e o nosso muito obrigado.”

Eles podem passar despercebidos por muita gente.

Mas nossas cidades simplesmente não funcionariam sem eles.

São trabalhadores essenciais.

São os Invisíveis Essenciais.