Em um mercado que se tornou estratégico para a economia e para a prestação de serviços públicos e privados, a APREST atua para fortalecer a terceirização responsável, valorizar os trabalhadores, estimular boas práticas empresariais e contribuir para que contratos sejam executados com ética, qualidade e respeito aos recursos públicos.
A terceirização está presente em praticamente todos os espaços da vida cotidiana. Na limpeza urbana, nos hospitais, nas escolas, nos condomínios, nos escritórios, no transporte, na segurança, na tecnologia, na manutenção e em inúmeras outras atividades, milhões de trabalhadores participam diariamente do funcionamento de empresas, instituições e serviços públicos.
Por trás dessa realidade existe uma cadeia complexa que envolve trabalhadores, empresas prestadoras, contratantes públicos e privados, sindicatos, órgãos fiscalizadores e a própria sociedade.
É justamente nesse ambiente que se insere a atuação da APREST, buscando contribuir para que a terceirização seja reconhecida não apenas como modelo de contratação, mas como uma relação que precisa estar fundamentada em responsabilidade empresarial, valorização profissional, segurança jurídica, qualidade dos serviços, transparência e respeito às obrigações trabalhistas e contratuais.
Essa concepção ocupa posição central no livro União em Defesa da Terceirização: A história da APREST e de seu fundador Gilmar Argenta, publicado em 2025. Na obra, Argenta relaciona a criação da entidade à experiência acumulada durante décadas de atuação no movimento sindical e à percepção de que a defesa do mundo do trabalho também passa pela preservação das empresas, dos empregos e da geração de renda.
Terceirização: de atividade operacional a parceria estratégica
A história apresentada no livro mostra uma transformação significativa da terceirização.
No Brasil, ela ganhou espaço a partir da década de 1960, inicialmente em atividades como asseio, conservação, transporte e segurança. Nas décadas seguintes, avançou para tecnologia, telemarketing, serviços administrativos e muitos outros segmentos. Em 2017, a Lei nº 13.429 representou um marco nesse processo, ampliando as possibilidades de terceirização e intensificando o debate sobre eficiência, flexibilidade e proteção das relações de trabalho.
Mais importante do que sua expansão, entretanto, foi a transformação do próprio conceito.
A terceirização moderna deixou de representar simplesmente a transferência de determinadas tarefas para outra empresa. Em muitos setores, tornou-se uma estratégia baseada em especialização, tecnologia, produtividade e conhecimento técnico.
O livro sustenta que o ganho proporcionado pela terceirização passou a estar especialmente relacionado à eficiência operacional, à especialização da mão de obra, à produtividade e à capacidade de geração e manutenção de empregos.
Essa evolução também amplia responsabilidades.
Quanto maior a presença da terceirização na economia, maior a necessidade de distinguir empresas estruturadas e comprometidas daquelas que tentam competir desrespeitando obrigações trabalhistas, fiscais ou contratuais.
É exatamente aí que o papel de entidades como a APREST ganha relevância.
Defender a terceirização não significa defender qualquer terceirização
Uma das mensagens que podem ser extraídas da obra é fundamental para compreender a atuação institucional da APREST:
defender a terceirização significa defender a boa terceirização.
O próprio livro apresenta diretrizes elaboradas pela APREST para identificar características consideradas essenciais em uma empresa terceirizada de qualidade.
Entre elas estão soluções adequadas às necessidades dos clientes, gestão de pessoas, treinamento frequente, reconhecimento profissional, sustentabilidade, gestão financeira sólida e inovação permanente.
Também são apontados como valores fundamentais integridade, ética, transparência, respeito às pessoas, responsabilidade socioambiental, qualidade e segurança do trabalho.
Não basta, portanto, vencer uma concorrência ou apresentar o menor preço.
Uma empresa precisa demonstrar capacidade real de executar o contrato, remunerar corretamente seus trabalhadores, cumprir suas obrigações, investir na qualidade dos serviços e manter sustentabilidade econômica ao longo da contratação.
Essa diferença é decisiva.
Preço inexequível pode se transformar em problema para todos
O livro dedica especial atenção a um problema conhecido no setor: empresas que conquistam contratos oferecendo valores incompatíveis com os custos necessários à prestação adequada dos serviços.
A experiência relatada por Gilmar Argenta mostra situações nas quais empresas recebiam regularmente dos contratantes, mas atrasavam salários, deixavam de pagar rescisões e posteriormente desapareciam, transferindo consequências aos trabalhadores e, em determinadas situações, ao próprio poder público.
Essa realidade ajuda a compreender por que preço e qualidade não podem ser tratados como conceitos independentes.
Quando uma proposta não comporta salários, encargos, férias, 13º salário, FGTS, obrigações fiscais, benefícios, equipamentos, treinamento e demais despesas inerentes ao serviço contratado, o aparente ganho inicial pode posteriormente transformar-se em prejuízo.
Perde o trabalhador.
Perde a empresa séria, que enfrenta concorrência baseada em parâmetros incompatíveis com a realidade.
Perde o contratante.
E, quando o contrato envolve recursos públicos, pode perder toda a sociedade.
A fiscalização como instrumento de proteção
É nesse ponto que o livro apresenta uma das frentes mais relevantes da atuação da APREST.
A entidade passou a acompanhar contratos celebrados pelo poder público, observando não somente os valores apresentados pelas empresas, mas também aspectos relacionados às condições dos trabalhadores e à idoneidade das garantias oferecidas.
A obra informa ainda que a APREST vem desenvolvendo um índice referencial de valor laboral, destinado a considerar o piso salarial local e as despesas decorrentes da contratação de trabalhadores terceirizados.
O objetivo dessa atuação é contribuir para prevenir um ciclo conhecido: proposta artificialmente baixa, dificuldade de execução, descumprimento de obrigações, prejuízo aos trabalhadores e problemas para o contratante.
Fiscalizar, nessa perspectiva, não significa criar obstáculos à terceirização.
Significa contribuir para protegê-la.
A empresa séria também precisa ser protegida
Há outro lado dessa discussão que merece atenção.
Quando empresas sem capacidade econômica ou operacional conquistam contratos utilizando propostas incompatíveis com os custos reais da prestação, as primeiras prejudicadas são justamente aquelas que cumprem suas obrigações.
Empresas responsáveis mantêm estrutura administrativa, recolhem tributos, investem em equipamentos e tecnologia, treinam trabalhadores, cumprem normas de saúde e segurança e precisam formar preços que comportem todas essas responsabilidades.
Por isso, combater práticas inadequadas significa também proteger a concorrência saudável.
O livro defende que uma boa empresa terceirizada precisa ir além da eficiência operacional e assumir compromissos com clientes, colaboradores e sociedade. Gestão de pessoas, sustentabilidade, inovação e solidez financeira aparecem entre os elementos necessários para uma prestação de serviços de qualidade.
A APREST, dessa forma, situa sua atuação em uma área de convergência: proteger trabalhadores sem inviabilizar empresas responsáveis e defender empresas sérias sem relativizar direitos dos trabalhadores.
Compliance e ética precisam fazer parte do negócio
A profissionalização da terceirização também passa pela governança.
O livro dedica espaço específico ao compliance e à cultura ética, defendendo mecanismos capazes de prevenir, identificar e corrigir problemas de conduta e estabelecer padrões de integridade desde a direção das empresas até fornecedores e demais integrantes da cadeia produtiva.
Essa concepção acompanha uma transformação mais ampla do mercado.
O contratante moderno não procura apenas mão de obra. Procura uma empresa capaz de assumir responsabilidades, entregar resultados, administrar pessoas, utilizar tecnologia, controlar riscos e assegurar continuidade operacional.
Por isso, terceirização responsável exige profissionalização.
Trabalhador no centro dessa relação
Por trás de contratos, planilhas, licitações, equipamentos e indicadores existem pessoas.
São trabalhadores que acordam cedo para limpar hospitais, recolher resíduos, conservar escolas, controlar acessos, preparar alimentos, realizar manutenção, atender usuários, cuidar de espaços públicos e privados e desempenhar inúmeras outras atividades essenciais.
A trajetória sindical relatada no livro ajuda a explicar por que a valorização desses profissionais ocupa lugar tão importante na concepção da APREST.
Gilmar Argenta recorda experiências em que trabalhadores prestavam regularmente seus serviços, enquanto determinadas empresas deixavam de pagar seus salários. Sua atuação na fiscalização sindical nasceu justamente do enfrentamento dessas situações.
Décadas de atuação levaram a uma conclusão sintetizada pelo autor: a luta no mundo do trabalho não se resume a salários e benefícios; envolve, sobretudo, dignidade e construção de perspectivas para quem vive do próprio trabalho.
A APREST como ponte entre os diferentes atores
A terceirização responsável depende de diálogo.
De um lado estão trabalhadores e suas entidades representativas. De outro, empresas prestadoras. Há ainda os contratantes, gestores públicos, órgãos de controle, Poder Legislativo e instituições responsáveis pela fiscalização.
A APREST busca ocupar justamente esse espaço de articulação.
Segundo o livro, a entidade foi idealizada em 15 de novembro de 2018, com atuação nacional e propósito de defender interesses relacionados aos trabalhadores terceirizados, além de acompanhar contratos e contribuir para que regras de contratação, licitações e execução dos serviços sejam respeitadas. A obra também destaca o diálogo com órgãos públicos e instituições de fiscalização.
Esse posicionamento permite compreender uma característica importante da entidade: a APREST não precisa escolher entre emprego e empresa, entre eficiência e direitos, entre interesse público e desenvolvimento econômico.
Seu desafio é justamente contribuir para aproximar esses interesses em torno de relações sustentáveis.
Empresas fortes, empregos protegidos
Há uma reflexão do livro que sintetiza essa visão.
Ao apresentar as razões que conduziram à criação da APREST, Gilmar Argenta afirma ter compreendido, a partir da experiência sindical, que existe uma condição anterior às próprias disputas das relações de trabalho: a criação e a manutenção de empresas e empregos.
Essa ideia ajuda a definir uma posição de equilíbrio.
Sem empresas sustentáveis, empregos desaparecem.
Sem trabalhadores valorizados, empresas não constroem serviços de excelência.
Sem contratos equilibrados, ambos ficam vulneráveis.
E sem fiscalização e transparência, o contratante e a sociedade também podem ser prejudicados.
É essa cadeia que precisa funcionar.
O futuro da terceirização passa pela responsabilidade
A terceirização continuará acompanhando as transformações do mercado de trabalho.
Tecnologia, especialização, sustentabilidade, qualificação profissional e novas formas de gestão tendem a tornar as empresas prestadoras cada vez mais estratégicas para organizações públicas e privadas.
O próprio livro observa que a terceirização contemporânea incorporou inovação tecnológica e parcerias estratégicas, passando a participar da transformação estrutural das operações e da busca por eficiência, inovação e competitividade.
Nesse cenário, defender o setor significa elevar permanentemente seus padrões.
Significa combater irregularidades sem criminalizar a terceirização.
Significa reconhecer empresas responsáveis.
Significa cobrar contratos equilibrados.
Significa estimular ética, compliance, sustentabilidade e segurança.
E, principalmente, significa valorizar quem está na ponta executando os serviços.
APREST: com os olhos para o futuro
A missão apresentada pela APREST no livro é clara: atuar na defesa dos trabalhadores terceirizados e dos cidadãos, cobrar o cumprimento das responsabilidades das empresas e contribuir para impedir irregularidades que possam prejudicar os recursos públicos. Ética, cidadania e transparência são apresentadas como bandeiras dessa atuação.
Depois de anos de debates sobre ser favorável ou contrário à terceirização, talvez o desafio contemporâneo seja outro: discutir qual terceirização queremos construir.
Para a APREST, a resposta apontada pela própria trajetória da entidade passa por um modelo capaz de reunir empresas sérias, trabalhadores respeitados, contratantes responsáveis, serviços de qualidade e fiscalização efetiva.
Porque defender a terceirização responsável é também defender empregos, desenvolvimento, eficiência, dignidade e respeito à sociedade.
E é nesse compromisso que a APREST pretende continuar atuando: com os olhos para o futuro.

