GILMAR ARGENTA: UMA VIDA CONSTRUINDO PONTES ENTRE TRABALHADORES, EMPRESAS E SOCIEDADE

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Existem trajetórias que podem ser contadas por cargos, datas e funções exercidas.

Outras são melhor compreendidas pelos caminhos que conseguiram abrir e pelas pessoas que aproximaram ao longo do tempo.

A história de Gilmar Argenta, Presidente e Fundador da APREST, tem muito dessa segunda característica.

Sua trajetória atravessa o movimento sindical, a representação dos trabalhadores, a administração pública, a política, os projetos sociais e comunitários, o associativismo e, mais recentemente, uma atuação cada vez mais próxima dos grandes debates envolvendo a prestação de serviços, sustentabilidade, inovação e futuro das cidades.

Em todas essas etapas, porém, existe um elemento comum:

a construção de pontes.

Pontes entre trabalhadores e empresas.

Entre empresas e poder público.

Entre comunidades e administração.

Entre desenvolvimento e responsabilidade social.

E, cada vez mais, entre prestação de serviços, tecnologia e sustentabilidade.

Nascido em Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, em 4 de janeiro de 1963, Gilmar mudou-se ainda criança com a família para São Paulo, estabelecendo-se na Vila Guilherme, na Zona Norte.

Foi nesse ambiente familiar e comunitário que começaram a ser formados valores que posteriormente acompanhariam sua trajetória: trabalho, união, participação e respeito às pessoas.

O esporte também teve papel importante em sua formação. Antes da vida sindical e institucional, o futebol lhe proporcionou experiências relacionadas à disciplina, trabalho em equipe, liderança e convivência coletiva.

Mas seria no movimento sindical que sua atuação ganharia uma dimensão ainda maior.

Gilmar participou de negociações, campanhas e iniciativas voltadas à defesa e à valorização dos trabalhadores dos setores de limpeza, conservação e prestação de serviços, acumulando experiência em importantes entidades representativas.

Vieram depois a administração pública, a atividade política, os projetos sociais e uma convivência cada vez mais próxima com diferentes setores da sociedade.

Essa trajetória ajudaria a formar uma convicção que permanece presente em sua atuação: trabalhadores e empresas não precisam estar permanentemente em lados opostos.

Empresas responsáveis precisam de trabalhadores respeitados, capacitados e valorizados.

Trabalhadores, por sua vez, dependem da existência de empresas sérias, empregos, contratos responsáveis e oportunidades de desenvolvimento.

Foi dessa compreensão que nasceu parte daquilo que, anos depois, se transformaria na APREST.

Ao fundar a APREST, Gilmar trouxe para a entidade grande parte da experiência acumulada durante décadas.

A proposta foi construir um espaço capaz de dialogar com trabalhadores, empresas, especialistas, entidades representativas, sociedade e poder público.

Sob sua presidência, a APREST passou a defender uma terceirização baseada em profissionalização, qualificação, inovação, responsabilidade, sustentabilidade e valorização das pessoas.

Essa visão também ajuda a explicar uma das linhas editoriais que a entidade vem fortalecendo: a valorização daqueles profissionais que, embora indispensáveis ao funcionamento das cidades e das instituições, muitas vezes permanecem pouco percebidos.

São trabalhadores da limpeza urbana, coleta de resíduos, conservação, zeladoria, segurança, portaria, recepção, manutenção, saúde e tantos outros serviços essenciais.

Dar visibilidade a esses profissionais significa reconhecer uma realidade que Gilmar conhece desde seus primeiros anos de atuação na representação dos trabalhadores:

por trás de todo serviço existem pessoas.

E desenvolvimento somente pode ser considerado verdadeiro quando essas pessoas também fazem parte dele.

A capacidade de aproximar diferentes setores também pode ser observada fora do ambiente institucional da APREST.

Em Piracaia, Gilmar participou, desde 2021, de uma mobilização envolvendo moradores, trabalhadores, condomínios, loteamentos e poder público em busca de soluções para antigos problemas de infraestrutura na região do Pinhal.

O que começou com reivindicações e articulação comunitária evoluiu para uma grande iniciativa de cooperação que permitiu transformar uma realidade marcada por barro, poeira e dificuldades de deslocamento.

A experiência mostrou, na prática, algo que aparece constantemente em sua trajetória:

problemas coletivos dificilmente são solucionados de maneira isolada.

Quando comunidade, iniciativa privada e poder público conseguem sentar à mesma mesa, ouvir diferentes interesses e construir objetivos comuns, aquilo que parecia distante pode se transformar em resultado concreto.

A experiência de Gilmar na vida pública também se transformou em reflexão sobre cidadania.

No livro “Poder do Voto – Guia para Entender a Democracia”, publicado em 2025, ele procura aproximar a política do cotidiano das pessoas e mostrar que decisões tomadas por governos e representantes eleitos interferem diretamente em áreas como emprego, saúde, educação, segurança, transporte, economia e serviços públicos.

A mensagem é simples: não basta votar.

É preciso conhecer.

Escolher com consciência.

Acompanhar.

Fiscalizar.

E cobrar.

Mas existe outro aspecto dessa visão que merece ser destacado: a política também exige coerência de quem participa dela.

Recentemente, ao reafirmar apoios políticos que haviam sido assumidos anteriormente, Gilmar chamou atenção para dois valores que considera fundamentais: fidelidade e lealdade.

O episódio vai além de uma escolha eleitoral específica.

Ele traduz uma maneira de compreender os compromissos assumidos.

Em um ambiente no qual posicionamentos muitas vezes mudam conforme as circunstâncias, manter a palavra dada também representa maturidade e seriedade.

Da mesma maneira que se espera coerência, responsabilidade e compromisso daqueles que pretendem representar a sociedade, esses valores também precisam estar presentes nas atitudes de quem cobra.

Para Gilmar, cidadania não significa apenas exigir comportamento dos outros. Significa também assumir responsabilidade pelas próprias escolhas e compromissos.

Essa concepção se conecta diretamente à proposta de O Poder do Voto: formar cidadãos capazes de escolher, mas também de acompanhar, avaliar e cobrar seus representantes durante todo o mandato.

Nos últimos anos, outro tema ganhou espaço cada vez maior na atuação de Gilmar e da própria APREST: a sustentabilidade.

A discussão está presente em seu trabalho sobre meio ambiente e também na aproximação institucional da APREST com empresas e entidades ligadas à gestão de resíduos, limpeza urbana, reciclagem, economia circular e novas tecnologias.

Essa aproximação ganhou um capítulo importante em agosto, quando Gilmar representou a APREST em Brasília, no encontro promovido pela ABREMA – Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente, dedicado aos desafios e aos avanços da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O encontro reuniu autoridades, especialistas, lideranças empresariais e representantes do setor para discutir questões que estarão no centro das cidades brasileiras nos próximos anos: erradicação dos lixões, reciclagem, destinação ambientalmente adequada dos resíduos, inovação, sustentabilidade econômico-financeira e transição energética.

Para a APREST, estar presente nesse debate significa olhar para o futuro da própria prestação de serviços.

Limpeza urbana, coleta seletiva, destinação correta de resíduos, conservação dos espaços públicos e adoção de novas tecnologias ambientais estão diretamente relacionadas às empresas e aos milhares de trabalhadores representados pelo setor.

Por isso, a presença de Gilmar em Brasília não representou apenas a participação da APREST em mais um evento.

Representou uma nova etapa de uma trajetória construída justamente pela aproximação.

A aproximação com entidades especializadas.

Com empresas.

Com especialistas.

Com lideranças políticas.

E com aqueles que estão pensando hoje as soluções que serão necessárias para as cidades de amanhã.

Construir pontes para continuar avançando

Depois de décadas de atuação, talvez seja justamente essa capacidade de construir pontes uma das características que melhor definem a trajetória de Gilmar Argenta.

Não significa eliminar diferenças.

Empresas possuem seus desafios.

Trabalhadores possuem suas reivindicações.

Governos possuem responsabilidades.

A sociedade possui suas demandas.

Mas existem momentos em que todos precisam encontrar pontos de convergência.

É nesse espaço que Gilmar construiu grande parte de sua vida profissional e institucional.

Hoje, à frente da APREST, continua defendendo que o setor de prestação de serviços pode crescer, incorporar tecnologia, gerar empregos, preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, reconhecer aqueles que tornam tudo isso possível.

Porque construir pontes não significa apenas aproximar lados diferentes.

Significa criar caminhos para que todos possam avançar.