Depois de explicar por que a política faz parte da vida de todos e por que o voto é uma das principais ferramentas de participação democrática, o livro Poder do Voto – Guia para Entender a Democracia, de Gilmar Argenta, avança para um tema mais crítico: os chamados “gols contra da política”.
A expressão utilizada pelo autor representa situações em que decisões, comportamentos ou práticas políticas acabam prejudicando justamente aqueles que deveriam ser beneficiados pelo poder público.
No livro, Argenta chama a atenção para a necessidade de termos eleitores mais preparados e participativos. Em sua análise, os problemas enfrentados pela população também estão relacionados à forma como os representantes são escolhidos e, principalmente, ao acompanhamento que recebem depois de eleitos.
QUANDO O PODER SE AFASTA DA POPULAÇÃO
Para entender a crítica apresentada no livro, é preciso lembrar de uma ideia trabalhada na primeira matéria desta série: a política não está distante da vida cotidiana.
Decisões tomadas pelos governos e pelo Legislativo podem ter consequências sobre áreas como saúde, educação, transporte, segurança, alimentação, emprego e serviços públicos.
Por isso, quando recursos públicos são utilizados de maneira inadequada ou quando decisões políticas deixam de atender ao interesse coletivo, o impacto não fica restrito aos gabinetes.
Ele chega à vida das pessoas.
É justamente nesse ponto que o autor apresenta sua preocupação com práticas políticas que, em sua avaliação, podem abrir espaço para desperdícios, falta de transparência e desvios de recursos.
O DINHEIRO PÚBLICO E A RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES
Entre os exemplos apresentados no capítulo, Gilmar Argenta aborda as chamadas “emendas secretas” e “emendas Pix”, utilizando-as como exemplos de problemas relacionados à transparência e ao controle dos recursos públicos.
A preocupação central apresentada pelo autor é simples de compreender:
Quando dinheiro público é destinado a determinada finalidade, a sociedade precisa ter condições de acompanhar onde esse dinheiro está sendo aplicado e quais resultados está produzindo.
Essa discussão está diretamente ligada à cidadania.
Afinal, o dinheiro administrado pelo poder público não pertence aos políticos individualmente. São recursos que devem retornar à sociedade por meio de políticas públicas, serviços e investimentos.
A POLARIZAÇÃO PODE DISTRAIR O ELEITOR?
Outro ponto importante do capítulo é a crítica à polarização política.
Argenta questiona o excesso de discussões entre grupos que se identificam como direita ou esquerda quando essas disputas acabam substituindo debates sobre problemas concretos da população.
Segundo a análise apresentada no livro, a sociedade corre o risco de ficar concentrada em conflitos ideológicos enquanto questões importantes permanecem sem solução.
O autor defende, portanto, uma postura mais crítica do cidadão.
Não basta apoiar um político porque ele pertence ao grupo ideológico com o qual o eleitor se identifica.
É necessário observar suas atitudes, propostas e resultados.
O ELEITOR NÃO DEVE ABRIR MÃO DA AUTONOMIA
Essa reflexão será aprofundada no capítulo seguinte do livro, dedicado justamente ao poder do voto e à polarização.
Mas a mensagem já aparece neste momento da obra: o eleitor não deveria transformar uma liderança política em alguém acima de qualquer questionamento.
O cidadão precisa manter sua capacidade de analisar, questionar e cobrar.
Isso vale tanto para quem está no governo quanto para quem está na oposição.
A democracia não depende apenas de escolher representantes. Ela também depende da existência de cidadãos dispostos a acompanhar o que esses representantes fazem.
QUANDO AS CÂMERAS SE APAGAM
Um dos argumentos apresentados por Argenta é que o eleitor não deve se deixar levar apenas pelos discursos públicos ou pelas disputas que ganham espaço nas redes sociais.
O livro chama atenção para a diferença entre aquilo que é apresentado ao público e aquilo que efetivamente acontece nas decisões políticas.
Essa preocupação aparece quando o autor afirma que a população pode acabar distraída pelos debates e espetáculos políticos enquanto decisões importantes continuam sendo tomadas.
A mensagem é um alerta:
acompanhar política exige mais do que assistir a discursos.
É preciso acompanhar votações, propostas, decisões e resultados.
O VOTO É SÓ O COMEÇO
Essa talvez seja uma das principais conexões entre a primeira e a segunda matéria da série.
Na primeira, vimos que o voto é uma ferramenta fundamental de participação democrática.
Agora, o livro mostra outro lado dessa mesma questão: o voto precisa ser acompanhado de fiscalização e participação.
Escolher um candidato e simplesmente esquecer a política até a próxima eleição não representa uma participação cidadã completa.
O cidadão precisa continuar atento.
Precisa saber quem está tomando decisões em seu nome.
Precisa questionar quando necessário.
E precisa reconhecer também quando uma iniciativa pública produz resultados positivos.
A DEMOCRACIA PRECISA DE ELEITORES ATENTOS
O capítulo “Os gols contra da política” não apresenta apenas uma crítica aos políticos.
Ele também provoca uma reflexão sobre o papel do eleitor.
Se o cidadão possui o poder de escolher seus representantes, também possui a responsabilidade de conhecer melhor aqueles que recebem seu voto.
É por isso que a obra defende uma população mais preparada e engajada.
Na sequência do livro, essa discussão será ampliada para um dos temas centrais de toda a obra: entender a democracia e o verdadeiro poder do voto.
Afinal, se existem “gols contra” na política, uma das formas de evitá-los começa justamente com um eleitor mais informado, participativo e disposto a fiscalizar.
O poder do voto não termina quando a urna é fechada. Ele continua durante todo o mandato.
NA PRÓXIMA MATÉRIA
Na terceira matéria da série O Poder do Voto, vamos entrar em um dos capítulos centrais do livro:
“Entendendo a democracia e o poder do voto”.
Vamos explicar, de forma simples, o que significa viver em uma democracia e por que a participação de cada cidadão é fundamental para que ela funcione.
Fonte: Poder do Voto – Guia para Entender a Democracia, Gilmar Argenta, MJ8 Editora, 2025.7
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